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sexta-feira, 30 de novembro de 2007



Ao ser iluminada, a noite revelou-se ainda mais escura.

domingo, 25 de novembro de 2007



Vão se multiplicando as imagens que simulam a captação espontânea da intimidade. Somos confrontados com uma "intimidade encenada" e, entrando no jogo, devemos ignorar o simulacro e simular a crença numa realidade que não existe. Necessitamos de intimidade e procuramo-la onde ela não poderá jamais surgir. A isto se chama erro de paralaxe.

sábado, 24 de novembro de 2007



É um lugar-comum dizer-se que os códigos fazem os géneros. A fidelização do olhar passa inevitavelmente por o educar por e para uma linguagem da qual, progressivamente, o próprio olhar se torna operador. O Sexexploitation não era, afinal, uma transgressão dos códigos definidos pela censura dos anos 50, mas uma intensificação desses códigos. Daí tudo (personagens e situações) se abeirar do grotesco. Não há uma nova linguagem, uma nova narrativa ou, sequer, um novo imaginário. Tudo o que caracterizava o cinema norte-americano dos anos 50 está aqui mas caricaturado. Não são simplesmente as mesmas coisas escritas a bold. São as mesmas coisas re-escritas e a bold.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007



O registo fotográfico fixou a imagem, paralizando as duas mulheres, os seus movimentos, a sua respiração, o fumo do cigarro. A imagem-tempo permite ao espectador a construção de uma narrativa. O que vai acontecer a seguir é decidido por nós num espaço imaginado. As imagens são sempre pretextos. Retiramo-las da sua eternidade e tornamo-las parte do nosso presente. Do que aconteceu ali não resta nada, mas inevitavelmente teremos de partilhar daquela solidão.



No espaço habita agora um silêncio lento. Já se apagou o cigarro de jasmiz que preparei minuciosamente enquanto esperava por ti e do silêncio comunga agora uma progressiva escuridão que, estranhamente, parece ter o poder de iluminar as memórias. Dou-lhes a minha voz para que de mim se aproximem, como um medium que toma corpo à palavra de outro e há no que elas dizem algo que de mim se revela.

(Paro de escrever e procuro, em vão, reacender o cigarro).

Deixas-te caido sobre a cama a "História Natural da Destruição" do Sebald. Deixou-se abrir ao acaso - "o vínculo comum que há entre mim e o mundo, cuja sentença de morte irrevogável reconheço..." - e ao acaso se fechou. Por vezes não sei se me fazes bem.